Kim Jong-il [1941-2011]
Kim Jong-il morreu aos 69 anos de ataque cardíaco no sábado, 17 de dezembro, de acordo com a televisão estatal da Coreia do Norte. Líder da única dinastia comunista da História, num dos países mais isolados do mundo. De 1994 a 2011, exerceu as funções de Líder Supremo da República Popular Democrática da Coreia do Norte e de Presidente da Comissão de Defesa Nacional da Coreia do Norte e Secretário-Geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia — cargos máximos em âmbito militar e político da nação coreana. Kim Jong-il herdou do pai, Kim Il-Sung, o controle da Coreia do Norte. No poder, Kim Jong-il manteve a ideologia oficial juche, de completa autossuficiência nacional, e um regime comunista de viés estalinista.
Kim Jong-il era oficialmente designado "Líder Supremo" (e também chamado de "Querido Líder", "Comandante Supremo" e "Nosso Pai"), e a referência a sua figura estava presente em quase todas as esferas da vida cotidiana norte-coreana, promovida por um ferrenho culto à personalidade que não admitia oposição. Por esse motivo, Kim Jong-il era reconhecido internacionalmente como sendo o chefe de estado mais totalitário do mundo.
Em junho de 2009, noticiou-se que o líder da Coreia do Norte nomeou seu filho mais novo, o general Kim Jong-un, para lhe suceder, o que faria da Coreia do Norte um regime comunista de controle hereditário.
Kim Jong-il era oficialmente designado "Líder Supremo" (e também chamado de "Querido Líder", "Comandante Supremo" e "Nosso Pai"), e a referência a sua figura estava presente em quase todas as esferas da vida cotidiana norte-coreana, promovida por um ferrenho culto à personalidade que não admitia oposição. Por esse motivo, Kim Jong-il era reconhecido internacionalmente como sendo o chefe de estado mais totalitário do mundo.
Em junho de 2009, noticiou-se que o líder da Coreia do Norte nomeou seu filho mais novo, o general Kim Jong-un, para lhe suceder, o que faria da Coreia do Norte um regime comunista de controle hereditário.
A morte de Kim Jong-il foi anunciada publicamente pela imprensa estatal da Coreia do Norte em 19 de dezembro de 2011, e teria ocorrido em 17 de dezembro. A notícia foi recebida com apreensão em todo o mundo devido às incertezas que cercam o processo sucessório, num país sobre o qual pouco se sabe do quotidiano e das relações de poder e onde toda informação é rigorosamente controlada, quando não produzida, pelo Estado. Fontes oficiais atribuíram o falecimento à "fadiga" do Líder Supremo e à "dedicação da sua vida ao povo".
O filho mais novo do estadista, o general Kim Jong-un, com 29 anos de idade, foi designado seu sucessor.
A propaganda intensifica-se na Coreia do Norte, à medida que se aproximam as cerimónias fúnebres de Kim Jong-il, marcadas para quarta e quinta-feira. Até as homenagens da natureza ao falecido ditador se multiplicam, como a de “uma ave branca, maior que uma pomba, que limpou a neve que cobria os ombros de uma estátua do líder”.
A notícia edificante foi reportada pela Rádio Pyongyang, e citada pela agência noticiosa sul coreana Yonhap, como demonstração da campanha de lavagem ao cérebro a que está sujeita a população do Norte. Na segunda-feira, o jornal do Partido dos Trabalhadores, a única formação política autorizada na Coreia do Norte, tinha já noticiado outros fenómenos que só podem ser classificados como paranormais, de supostas homenagens da natureza ao “querido líder” que acabava de morrer: por exemplo, há os três voos que um grou fez em torno de uma estátua de Kim Jong-il, ou a forma como o gelo se quebrou num lago no Monto Baekdu, o seu local oficial de nascimento (“com um rugido que fez tremer o céu e a terra", segundo a agência noticiosa oficial KCNA, relata o “Financial Times”). O envolvimento de pombas não é inédito: o “Rodong Shinmun”, o jornal oficial, publicou o relato de trabalhadores de uma fábrica de cimento que estavam a fazer o luto do “querido líder” quando surgiram duas destas aves a bicar na janela. “Ficaram nos ramos de um pessegueiro a chorar durante meia-hora”, contou o jornal, citando os operários.
Tudo isto contribui para criar um clima emocionalmente carregado para as cerimónias fúnebres de quarta e quinta-feira, sobre as quais nada se sabe, mas que se espera que sigam o molde da coreografia concebida em 1994 por Kim Jong-il quando morreu o seu pai e fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung, considerado pai da nação. A marca de Kim Jong-il deverá estar bem presente no seu próprio funeral, sublinha a jornalista norte-americana Jean H. Lee, directora da delegação da Associated Press em Pyongyang, que desde 2008 fez 11 viagens àquele país. A proeminência das Forças Armadas – com a sua política “Songun”, ou militares primeiro – deverá fazer com que o funeral inclua desfile de tropas e até mesmo de armamento.Quanto à marca de Kim Jong-un, o herdeiro, a propaganda também já começou. Kim Il-Sung morreu em Julho, num Verão escaldante, e morreram muitas pessoas nas filas para lhe prestar as últimas homenagens. Agora que morreu o seu filho faz um frio gelado, e há previsões de neve para o funeral. A marca do terceiro Kim, amplamente publicitada pelos meios de comunicação social estatais, está a ser a distribuição de bebidas quentes. É distribuída água quente com mel, leite de soja, chá – e há autocarros com o motor ligado em torno da praça de Pyongyang onde fica o mausoléu onde está em câmara ardente o corpo do líder falecido. É uma oportunidade para Kim Jong-un mostrar as suas credenciais como prestador de cuidados ao povo, num regime em que o culto da personalidade dos ditadores os apresenta como pais do povo.“Ele é um homem tão meticuloso e com um coração tão gentil. A sua afeição pelo povo entristecido passará à posteridade”, sublinha a agência KCNA, sublinhando que Kim Jong-un quis ter a certeza de que a água quente estava suficientemente doce.
A televisão pública norte-coreana transmitiu hoje imagens que mostravam milhares de pessoas em lágrimas durante o funeral de Kim Jong-il.
Milhares de norte-coreanos acompanharam o percurso do caixão pela capital, Pyongyang, gemendo e batendo no peito, apesar do forte nevão que cai.
Milhares de norte-coreanos acompanharam o percurso do caixão pela capital, Pyongyang, gemendo e batendo no peito, apesar do forte nevão que cai.
As cerimónias fúnebres, que se vão prolongar por dois dias e vão ser marcadas por três minutos de silêncio na quinta-feira ao meio-dia, não tendo sido autorizada a nenhuma delegação estrangeira a presença no último adeus a Kim Jong-il.








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